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Conheça Duas Fãs de Trance que Estão Mudando a Maneira Como Encaramos as Raves

Keelin e Monica são dessas amigas inseparáveis. Gostam dos mesmos DJs e vão a todas as raves que podem. O detalhe é que uma delas é surda e a outra intérprete de sinais.

Zel McCarthy

Zel McCarthy

Em muitos aspectos, a amizade de Keelin Lambert e Monica Frederick é como qualquer outra. As ex-colegas de faculdade vão regularmente a festivais e shows de dance music, mesmo com Keelin morando em San Diego, e Monica em Chicago. Keelin levou Monica para a primeira rave dela no Electric Daisy Carnival, em 2013, e as duas começaram a curtir a cena, especialmente o trance. Elas se encontraram em Atlanta, no mês passado, para uma imersão completa no TomorrowWold, chegando a acampar no festival de três dias.

Enquanto Bryan Kearney tocava seu remix de "U", de Gareth Emery, durante o seu set no palco TranceAddict, Keelin fazia o que frequentemente faz para Monica durante os festivais: traduzia a letra para ela em linguagem de sinais. Outra fã, Sage Sappho, viu a cena, fez um vídeo e compartilhou no Instagram no início de outubro. Emery assistiu ao vídeo, compartilhou e ele se tornou viral. "Se 15 minutos pudessem resumir o espírito da dance music, seriam esses", disse o músico na legenda.

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Keelin e Monica contam que os últimos dias foram meio loucos. "Mas também muito empolgantes", acrescenta Keelin. "Fico feliz em ver tanto reconhecimento para a nossa cena e conscientização sobre a surdez".

Keelin ouve, Monica é surda. As suas se conheceram na Universidade de Gallaudet, em Washington D.C. A faculdade é dedicada à educação para surdos, admitindo pouco mais de 5% de alunos sem deficiência auditiva, incluindo Keelin, que se tornou uma intérprete habilitada de linguagem de sinais. No TomorrowWorld, e em todos os eventos que ela e Monica vão, Keelin não dá à amiga simplesmente uma interpretação mecânica da música.

"As pessoas não sabem como a linguagem de sinais pode ser expressiva", diz Monica. 

"Estou interpretando da maneira mais precisa e eficaz possível", explica Keelin. "Quero que a audiência surda entenda a intenção, efeito e significado das letras. Quero expressar isso através da linguagem de sinais, para mostrar à Monica o significado das letras e a emoção por trás delas".

Não é só a tradução que chamou a atenção das pessoas. Como muitos comentários apontaram, os movimentos vibrantes de Keelin são em si um ato de amor, de uma fã compartilhando sua paixão pela dance music com sua amiga.

"Sou muito grata por ter alguém como a Keelin na minha vida", diz Monica. "Uma pessoa pode ter muito impacto sobre você de todas as formas possíveis! É isto que ela significa para mim, na verdade. Ela não fez nada senão me apoiar em cada passo do caminho. As pessoas estão vendo isso".

Naturalmente, alguns questionaram por que alguém que não ouve iria a um evento de música, para começar, mas as duas mulheres são rápidas em apontar que um festival não se resume ao som.

"Festivais de música têm muito mais coisas", diz Monica, emocionada. "Têm luzes, lasers, pessoas, conexões, novos amigos, pulseiras coloridas, amor, atmosfera, música, dança, experiência, memórias novas a serem criadas... O conjunto é o que faz a experiência valer a pena. Ela não é limitada apenas a quem consegue ouvir".

"Só porque os surdos não podem ouvir, isso não quer dizer que não possam fazer nada que pessoas que ouvem fazem", acrescenta Keelin.

Enquanto a introdução de Monica à cultura dance partiu da amiga, o começo de Keelin na cena foi mais difícil. Depois de sobreviver a maus tratos na adolescência, Keelin sofria de depressão severa e tinha pensamentos suicidas. Por acaso, ouviu a música "Home", do Above & Beyond, e lembra exatamente desse momento. "Comecei a chorar. Me deu uma razão para viver", ela disse.

O Above & Beyond ainda é o grupo preferido de Keelin (ela já chegou a subir no palco com eles). No ano passado, Monica e ela assistiram aos dois shows acústicos deles em Los Angeles. Juntas também viram Ultra, Beyond Wonderland, Hi-Fi e 1Life. "Fomos juntas a todas as raves desde a minha primeira", diz Monica.

Para além da agitação que o vídeo gerou nas redes sociais, Keelin diz que ficou emocionada com o impacto causado pela a amizade delas.

"Para mim é toda a positividade que me mandaram e o impacto que teve", ela diz. "Significa muito que um vídeo de 15 segundos comigo interpretando possa atingir tantas pessoas, incluindo a Monica. Algumas pessoas estão me mandando mensagens, dizendo como estão agradecidas por eu ter feito isso por ela. Elas me dizem o quanto sou incrível. Mas tenho que lembrá-las que quem é incrível é a Monica, e que elas também são, pelo seu apoio. A existência de tantas almas bonitas e positivas no mundo é o que me move!"

"Adoro como as pessoas são abertas em relação à minha surdez", acrescenta Monica. "Podemos não vivenciar [os festivais] do mesmo jeito, mas... Eu mereço estar ali tanto quanto o resto".

Com a temporada de festivais norte-americanos chegando ao fim, Keelin e Monica vão ter algum tempo para planejar o ano que vem, embora seja provável que o roteiro delas vá incluir o TomorrowWorld ("eu não podia querer um festival melhor", diz Keelin), e o EDC, favorito das duas.

"Sou eternamente grata a ela", diz Monica sobre a amiga.

"Acho que a nossa amizade é única", concorda Keelin. "As pessoas não percebem o impacto que a Monica teve na minha vida".

Graças a um vídeo de 15 segundos, a vida das duas agora pode ter um impacto no mundo.

Keelin Lambert é @whatupkee no Instagram e @keelinlambert no Twitter. Monica Frederick está no Facebook.

Tradução: Fernanda Botta