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Reportagens

Jogamos o game de realidade virtual do Deadmaus5 para saber como é viver dentro da cabeça dele

Leve o produtor de seu estúdio até a balada em que ele vai tocar em seu novo game.

Max Mertens

Max Mertens

All screencaps courtesy of YouTube

Este artigo foi originalmente publicado no THUMP Canadá.

De shows intimistas a videoclipes, cada vez mais artistas estão usando realidade virtual para oferecer experiências únicas aos fãs, que eles não teriam em nenhum outro lugar. Previsivelmente, as marcas foram rápidas em capitalizar em cima das oportunidades geradas pela tecnologia, o que resultou em parcerias como a da Absolut — vulgo o fabricante da vodka que você comprava na faculdade quando queria impressionar alguém, porque ela parecia mais "sofisticada" do que a Smirnoff — com o Deadmaus5 na criação de um game de realidade virtual para Google Cardboard em que você vive um dia na vida do produtor canadense.

A premissa é bastante simples; jogando como o Deadmaus5, você tem que levá-lo do estúdio até um show, passando por uma série de obstáculos. Levando em conta o notório gosto de Joel Zimmerman (seu nome de batismo) por nerdices — ele aparece regularmente no site de streaming de vídeo Twitch, virou personagem no efêmero spin-off de Guitar Hero, DJ Hero, e às vezes passa os fins de semana recriando temas clássicos de SNES — parece natural que ele agora tenha seu próprio game de realidade virtual.

Troquei alguns e-mails com os criadores do jogo, da desenvolvedora Knoxlabs, de Los Angeles (o slogan deles, juro que não estou inventando, é: "Dê personalidade ao seu papelão"), para conseguir uma cópia para resenhar, e alguns dias mais tarde, quatro headsets de edição limitada, com o logo da Absolut, apareceram na minha caixa de correio. Baixei o aplicativo no meu celular, e estava pronto para embarcar na minha jornada virtual.

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O jogo começa no estúdio de Zimmerman, onde temos uma visão de 360 graus do seu equipamento, com montes de teclados, sintetizadores modulares e telas de laptop. Enquanto estamos no cenário como observadores, o telefone do produtor toca, e uma voz anônima diz que ele precisa ir para um grande show do outro lado da cidade. Tenho quase certeza que é assim que começam pelos menos dois filmes do Jason Bourne.

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Em seguida, você é levado à garagem do Deadmaus5, que tem uma vibe meio batcaverna e vários carros tunados, embora a famosa Ferrari do produtor, "Purrai", com o Nyan Cat pintado na lateral, infelizmente não seja uma opção jogável no game. Depois de achar a versão animada do seu amado gato de estimação, Meowingtons (que tem impressionantes 17,6 milhões de seguidores no Instagram), é hora de pegar a estrada.

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A sequência no trânsito é de longe a parte mais legal do jogo, permitindo que você controle o carro enquanto ele atravessa a autoestrada no pôr do sol, balançando a cabeça para aumentar a velocidade como um Grand Theft Auto de baixo orçamento. Sou carinhosamente lembrado da popular série do produtor no YouTube, "Coffee Run", em que ele dá carona e joga conversa fora com DJs, músicos e até um falecido prefeito de Toronto. Preciso descontar dez pontos imaginários no quesito realismo, entretanto, porque como qualquer um que já dirigiu durante a hora do rush pelas ruas da cidade canadense, cheias de obras, pode confirmar, esse trajeto não dura dois minutos de jeito nenhum.

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Finalmente chegamos ao clube, mas há um enorme obstáculo — o segurança musculoso, de camiseta justinha, que se recusa a deixar nosso herói com orelhas de rato entrar (ok, esta parte talvez seja bem realista). Felizmente, você pode distraí-lo "combinando os beats" da música que escuta nos seus fones com símbolos que aparecem numa barra, o que faz com que o seu adversário não se aguente e comece a dançar (não recomendamos que você tente usar essa tática na vida real).

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Quem diria que o Deadmaus5 é tão atlético? Aqui, você precisa pular sobre caixas que rolam, tipo Donkey Kong. Para esta cena, os movimentos foram capturados com sensores.

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O clube está sinistramente silencioso, mas antes que você possa subir no palco, precisa tirar algumas fotos com os fãs para manter as aparências. Você sabia que existe um jogo chamado Paparazzi (em japonês, The Camera Kozou) para Playstation 2 que simula a experiência de um fotógrafo? Segundo a Wikipédia, o objetivo do game é "tirar fotos de modelos e ganhar competições fazendo boas fotos", o que não parece nada esquisito. Enfim, a moral da história, em Absolut Deadmaus5, é que selfies só te atrasam e devem ser evitadas a todo custo.

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Sucesso! Você levou o Deadmaus5 até o show e, como recompensa, pode ouvir uma faixa exclusiva, "Saved". Em uma entrevista recente à Billboard, Zimmerman disse: "Tirei essa faixa do fundo do baú e disse, 'vamos testá-la'", afirmando que essa é a primeira faixa a estrear através de uma experiência de realidade virtual. Tanto quanto é possível para uma faixa do Deadmaus5, ela é bem tranqüila, mas é legal ver o público reagir à música, e quase parece que você está mesmo lá.

Então Absolut Deadmaus5 vale os US$ 9,95 que custa pelo headset? A resposta provavelmente depende de quanto você se considera fã do cara, mas na entrevista citada acima, Zimmerman insinua que esta é apenas a ponta do iceberg no que diz respeito às possibilidades da tecnologia. Diferentemente de como acontece em muitas parcerias entre marcas e artistas, ele esteve envolvido no processo do começo ao fim, em vez de apenas assinar um contrato e embolsar a grana. Ele também foi ágil em responder aos detratores do game, como é típico dele.

Como plataforma para lançar novas músicas, definitivamente é mais eficaz do que, digamos, o aplicativo para Samsung do Jay Z, Magna Carta Holy Grail, ou o álbum dado de "presente" via iTunes pelo U2. Esperamos que, se algum dia sair uma continuação, ela se aprofunde mais na rotina de um DJ superfamoso, introduzindo atividades como responder mensagens dos fãs no Twitter, ir para Ibiza de helicóptero e entrar em disputas legais de violação de direitos autorais. E que façam logo um spin-off do Meowington, porque esse gato merece ter a sua chance de brilhar.

Max Mertens está no Twitter.

Tradução: Fernanda Botta

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