Como Deus Inspirou o Clássico "We Magnify His Name", do Floorplan

Robert Hood fala sobre a inspiração do Todo Poderoso na sua obra e como transforma a pista em uma grande igreja com a sua música.

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out 21 2015, 10:00am

Há momentos, horas, dias, semanas, meses em que, se você me pedir para dizer qual é a melhor faixa de todos os tempos, posso responder em uma fração de segundo que, sem dúvida, é "We Magnify His Name", do Floorplan, um dos muitos pseudônimos de Robert Hood, a lenda de Detroit. Deus estaria do meu lado, aliás. Mas volto a isso num segundo.

Hood, nascido em Detroit, mas vivendo atualmente no Alabama, teve um papel fundamental na história do techno. Como um dos membros fundadores da legendariamente combativa e intelectualmente rigorosa crew Underground Resistance — ao lado de Jeff Mills e "Mad" Mike Banks — o seu lugar na história do gênero já estava assegurado antes mesmo de ele inventar o minimal como o conhecemos com o seminal Minimal Nation, de 1994, e de fundar o seu selo, M-Planet, no mesmo ano. A sua dedicação à rigidez implacável do techno no seu estado mais puro — o meio-termo perfeito entre as batidas ásperas do industrial, os sons inumanos do acid e a pulsação mecânica do house — o fez passar os últimos dois anos criando e curando uma obra sem precedentes.

Tendo lançado discos sob uma variedade de pseudônimos, incluindo Inner Sanctum, Monobox e The Vision, Hood parece ter decidido, nos últimos anos, dividir seu tempo e atenção entre dois projetos. Como Robert Hood, ele lança e toca um techno energético, duro, rápido e assustadoramente preciso. Como Floorplan, ele transmite a palavra do senhor.

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"Deus literalmente me acordou do meu sono e disse: 'Quero que você inclua a mensagem gospel na sua música', me conta Hood — que é pastor licenciado e ordenado — ao telefone, falando da sua casa no extremo sul dos Estados Unidos. "Basicamente, quero comunicar esse espírito e minha relação com Cristo por meio da minha música. Planejava isso há algum tempo, mas desta vez, Deus deixou claro: quero que você espalhe a mensagem. Comecei a me questionar e a questionar Deus e disse: 'Bem, como as pessoas vão encarar isso?', e Deus disse: 'Não se preocupe com isso'."

O primeiro resultado deste diálogo foi o EP Sanctified, de 2011 (lançado pelo selo de Hood, M-Plant), que reúne três faixas intensas com a sua marca registrada — dos acordes repetitivos, com uma forte influência techno, de "Basic Principle" ao house screamer "Baby, Baby", com um sample de James Brown, uma faixa muito tocada pelos DJs até hoje. Embora essas duas faixas sejam mais do que sólidas, o grande negócio é o lado A.

Uma faixa gospel house de nove minutos de duração que utiliza amplamente samples da versão do coral do Shekinah Glory Ministry para uma música tradicional de igreja, "We Magnify Your Name" revela muito da relação de Hood com a sua fé.

"Quando 'We Magnify His Name' saiu de mim, a linha de baixo, os vocais, tudo parecia se encaixar perfeitamente. Chorei quando a escutei. Meus olhos se encheram de lágrimas. Foi tão emocionante, tão espiritual que pensei que precisava fazer mais disto", conta Hood ao THUMP. "'We Magnify His Name' era basicamente meu espírito na igreja, louvando a Deus, seu espírito e a verdade, e gritando o seu nome. É isso que faço nas manhãs de domingo, dentro de casa e no carro. Louvo a Deus por quem ele é. É isso que é essa música."

Para entender o que tem nesta faixa que mexe tanto comigo, decidi que precisava falar com o homem que a tornou possível.

THUMP: Quando você toca, não tem como saber qual é a crença espiritual do seu público. Falo a você como ateu, e essa faixa mexe até comigo. Isso é algo que te interessa, poder tocar faixas profundamente espirituais, faixas com um profundo significado, sobre você e a sua relação com Deus, para pessoas totalmente desconhecidas?
Robert Hood: A questão é a seguinte: você e eu somos espíritos. Deus é um espírito. Então é assim que nos comunicamos com Deus. A Bíblia diz, em Romanos 8:16: "o próprio Espírito, que é Deus, testemunha ao nosso espírito que somos filhos de Deus". Então nossos espíritos não podem evitar sentir a presença de Deus. Estejamos cientes dele ou não, esse espírito se manifesta e quer se conectar com Deus, mas nossa carne e nossa mente querem fazer outra coisa, negar a sua existência. Mas esse espírito que somos realmente, porque essa realmente é a resposta para quem somos — não é esta carapaça exterior, não é nossa pele e ossos neste corpo e nesta carapaça que habitamos, mas o espírito — e este espírito quer se conectar com Deus.

Você acredita então que como DJ, como alguém com a habilidade de se apresentar para milhares de pessoas, você tem a oportunidade de ajudar a construir essa relação com Deus. Isso é algo que você pode fazer como DJ, e é algo que deseja fazer como DJ?
Eu sou um mensageiro de luz, é isso o que eu sou. E é minha função levar essa luz, carregá-la e espalhá-la pelo mundo. Deus me permitiu ser um reflexo do seu amor e me permitiu refletir a sua luz para o mundo, para que as pessoas recebam a sua mensagem, para ajudar as pessoas a receber todas as coisas boas e a misericórdia que Deus oferece. Muitas pessoas não leem a Bíblia, não vão à igreja, então cabe a mim ser uma espécie de Bíblia que elas possam ler, sem que eu precise dizer uma palavra. Elas podem sentir minha presença, ou melhor, a presença de Deus, através de mim, e refletir sobre isso. Por exemplo, tocar "We Magnify His Name" na Berghain, no começo de uma manhã de domingo, é... Não há palavras para descrever a sensação de fazer isso neste clube industrial alemão, que é conhecido por um certo tipo de som, e tocar uma música como essa, é como estar na igreja em um domingo de manhã. Transpassa a escuridão pela qual as pessoas talvez estejam passando em suas vidas. Elas não têm a chance de conversar e se reunir em um lugar, necessariamente. Então um sábado à noite ou um domingo de manhã em um clube é um lugar para fugir, mas a maioria de nós não percebe que tem uma igreja nessas horas. É incrível.

Esse é o principal motivo por que vamos a clubes, para fugir da tristeza e da dureza da realidade? Os clubes nos oferecem salvação?
Há uma espécie de libertação ali. Você quer desopilar um pouco, porque trabalhou duro a semana inteira, ou estudou muito, e no sábado à noite todo mundo quer sair, dançar, beber, se divertir e curtir a vida, por assim dizer. O que me preocupa é que havia este troço aqui nos Estados Unidos, as pessoas diziam "get your life" [uma expressão popularizada por Tamar Braxton no reality show Braxton Family Values, usada habitualmente quando alguém faz algum comentário ou ação contrária ao que você acredita ser aceitável - literalmente, "dê um jeito na sua vida", e grosso modo, algo como o nosso "miga, melhore"], e a minha pergunta é, sabemos mesmo o que é a vida? Quando eu estava por aí bebendo, curtindo e me chapando, pensava: "Ei, tenho 21 anos, sou um homem agora, posso viver a minha vida". Mas não sabia o que era a vida. O que ela era de verdade. Não sabia o que era a verdadeira vida. Ou o que era a morte. Muita gente entra de cabeça no fim de semana. Vivemos para o fim de semana, como a velha música do O'Jays. Depois vem a manhã de domingo, o dia do Senhor, e muita gente se foca em curtir, e o domingo é um momento para refletir e dormir o dia inteiro. A vida é mais do que isso.

O que mais há nela? Me diga.
A vida eterna. Esta vida aqui é só um breve intervalo na eternidade. Esta conversa agora é um momento no tempo. Vamos ter esta conversa e o resto do dia vai passar. Isso é breve. Colocando isso em perspectiva, o resto da vida, que é eterna, é isso que é a verdadeira vida. É o que há. Jesus disse: "Sou a verdade, o caminho e a vida". Sem Jesus, você não encontra a verdadeira vida. O que nos separa de Cristo é a morte. Deus quis que a morte fosse uma transição entre esta vida e a vida eterna. Desta existência natural na terra para uma vida eterna. O diabo quis distorcer esse significado e nos separar de Deus. Precisamos compreender o que é a vida. Amor, graça e misericórdia — é isso que é a verdadeira vida.

Voltando a "We Magnify His Name" como música... Tive a sorte de ver você ao vivo no começo deste ano em Paris, e estava no palco com você e o Lyric e tive uma espécie de experiência extracorporal quando você finalmente a tocou. É isso que você, como produtor, quer provocar nas pessoas?
Rezo para isso. A questão é que nunca ouvi ninguém dizer isso sobre mim ou sobre a minha música. Ouvi algumas coisas positivas a respeito, mas nunca ninguém disse isso. Isso é exatamente a paz, a sensação de bem-estar e a conexão com o espírito santo que eu estava buscando alcançar com essa música, e fico contente por Deus ter me usado como um canal entre o coração Dele e o seu coração. Sinceramente, achei que as pessoas fossem dizer: "Ah, ele só está tentando fazer uma faixa gospel", mas era isso que eu estava esperando e rezando para alcançar. Não queria fazer um hino que aumentasse a fama de Robert Hood, mas que glorificasse o nome de Deus. É tudo sobre Deus. Não é sobre Robert Hood. É sobre Jesus. Essa é minha paixão. Essa era a minha esperança, minha visão e meu sonho: glorificar o nome Dele. Vamos todos viver por muito tempo. Vamos dar um jeito na nossa vida.

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Tradução: Fernanda Botta

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