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Marc Romboy e Stephan Bodzin Chegam para um B2B no Boiler Room Brasil

Dois dos mais importantes nomes do techno alemão tocam juntos no próximo dia 11; leia a entrevista que fizemos com o Marc.

Eduardo Ribeiro

Eduardo Ribeiro

Dois irrefutáveis gigantes do techno protagonizam a próxima session do ciclo Boiler Room Brasil. São os parceiros de longa-data Marc Romboy Stephan Bodzin, que apresentam um back-to-back no próximo dia 11, a partir das 20h. Como é de lei, o show será transmitido em tempo real via site do Skol Beats. A dupla divide o line-up com os DJs locais Laurent F.Wehbba, no headquarter sulamericano do Boiler Room. Marc e Stephan vêm da Alemanha, onde, depois de Detroit, o techno é um dos carros chefe quando o assunto é música eletrônica. Marc surfa nessa onda desde a ascensão do estilo por lá, no comecinho dos anos 90, quando abandonou o plano de virar médico para produzir suas próprias faixas e lançou o selo Le Petit Prince logo em 1993.

Desde 2004, Marc Romboy dirige outro selo, o Systematic Recordings, atualmente uma referência firmeza para quem curte tech-house. Ele já lançou quatro álbuns, Gemini, Contrast, Luna (com o Stephan) e Taiyo (com o Ken Ishii), e tocou em tudo quanto é evento e clubs importantes. Ele discotecou recentemente no Boiler Room de Berlim e está empolgado porque a performance ainda está repercutindo legal nas redes. Considerando que faz uma cara que ele não duela com seu comparsa Stephan, é certo que os caras vão detonar um set dos bons. Sobretudo porque eles andam numa ótima sintonia, preparando-se para lançar um EP com uns sons que produziram juntos. Mais a respeito vocês ficam sabendo na entrevista abaixo. Muito simpático, Marc falou ainda de suas influências, do começo da carreira, comentou os momentos marcantes de sua trajetória e outras coisas. Saca só:

THUMP: Você vai tocar em São Paulo, dentro do ciclo Boiler Room X Skol Beats. Mas recentemente rolou uma super apresentação sua no Boiler Room Berlim, não é? Pela repercussão póstuma nas redes sociais, deve ter sido demais!
Marc Romboy: Sim, o Boiler Room em Berlim foi muito divertido e uma experiência especial para mim. Você tem que ter em mente que aquele lugar era literalmente um verdadeiro caldeirão fervilhante, armado no hall duma piscina, e as coisas esquentam rápido num pico assim. O público tinha uma energia muito boa e entendeu a minha vibe, então tudo fluiu muito bem e foi uma grande satisfação participar disso. Foi uma noite inesquecível. Agora é chegada a hora de minha segunda participação, aí em São Paulo, ao lado do meu camarada Stephan Bodzin. Nada poderia ser melhor do que isso. Eu e o Stephan conseguimos tocar juntos só umas duas ou três vezes por ano, logo isso é algo muito único. Vamos ver o que vai rolar dessa vez!

O set que você manda em ocasiões mais intimistas como esta difere daquilo que você leva para tocar num club ou num festival?
As pessoas que me conhecem bem estão ligadas que, não importa o que aconteça, uma das minhas qualidades é saber ler o contexto de cada noite. Sempre depende de muitos fatores, como a quantidade de pessoas, o esquema do espaço e do país, algumas situações pedem algo mais de boa e denso, outras algo mais pesado e techno. Mas, no fim do dia, eu sempre imprimo aquela minha vibe típica, independente de quando ou onde eu toco.

Tem umas coisas novas na manga que você está preparando e que já possa adiantar pros nossos leitores?
Ah, sim, com prazer. Estamos preparando dois projetos muito ambiciosos. O primeiro deles é o 100º lançamento do meu selo, o Systematic Recordings, e, acredite ou não, será finalmente um novo EP da minha parceria com o Stephan. As músicas chamam-se "Kerberos" e "Styx", e dá pra ouvir uma palhinha no Soundcloud. O segundo grande projeto é a comemoração do décimo aniversário da Systematic que vai rolar em outubro, na forma de um CD duplo. Coletamos vinte faixas exclusivas e jamais lançadas de nomes como Jimpster, Wehbba, Audiojack, Dusty Kid e Stephan Bodzin. Esta compilação vai sair no começo de outubro acompanhada de uma festa de lançamento no Sugar Factory, em Amsterdã, durante o Amsterdam Dance Event.

Com tanto tempo de experiência tocando por aí, você deve ter altas lembranças loucas de momentos da sua carreira. Poderia citar pelo menos cinco acontecimentos que te emocionaram?
Bem, mais de vinte anos se passaram desde que comecei, e continuo sentindo aquela gana de tocar e criar música eletrônica/techno para as pistas. É minha paixão, minha vida. Basicamente nada de espetacular mudou, talvez eu tenha ficado um pouco mais técnico, mas o espírito ainda é o mesmo.

1. Love Parade, Berlim, 1992: tínhamos um trio elétrico lá, do nosso selo Le Petit Prince! Inesquecível. Rolava aquela sensação de estar criando e representando algo novo, um novo estilo de vida. Louco!

2. MayDay, Berlim, 1991: o primeiro festival rave da Alemanha de todos os tempos! Meus amigos e eu ficamos de frente para a entrada até as 6h. DJs tipo Sven Väth, The Hypnotish, Dave Angel e Jeff Mills tocaram. Parecia que a gente estava num planeta diferente.

3. Berghain, 11 de setembro: Stephan e eu ao vivo no palco. Foi nosso último show juntos, a primeira vez que visitei Berghain, e fiquei perplexo. É difícil explicar como foi a sensação de estar lá, mas é algo parecido com reviver o MayDay de 1991!

4. Ministry of Sound, Londres, 1995: O Carl Craig tocou. Ele virou um remix que produziu para Dave Angel. Acho que esse foi o melhor remis que o Carl Craig já fez na vida. Tem uma longa introdução e camadas e camadas e camadas. De novo, fiquei perplexo!

5. Jeff Mills num club de Hong Kong, 1997: a primeira vez que assisti a um set do Jeff. Eu estava bem no meio da pista e chorei!

É verdade que você pretendia ser médico quando a música eletrônica te tragou para dentro de seu universo?
Essa história é muito simples. Eu estava estudando medicina em Düsseldorf. Depois das aulas, eu ia direto pro centro da cidade sacar as coisas em três lojas da cidade, que vendiam os discos mais quentes do momento. Em 1991, eu decidi produzir música e conheci meu amigo Jürgen Driessen. Ele ainda é meu amigo e fazemos música juntos. Daí saiu minha primeira produção! O nome do projeto era Unknown Structure e a música era "Repitcher".

É claro que, como amante de música, você não deve escutar só techno. Fala aí pra gente uns sons que você gosta e acha que o povo precisa conhecer.
Pô, na verdade eu curto todos os tipos de música, independente do gênero, qualquer coisa que me toque. Amo jazz, música clássica e soul, bastante, também. Também sou apaixonado pela música alternativa dos anos 80, ítalo disco, break dance. Vou citar umas coisas que eu gosto: Vivaldi, Jan Garbarek, Joy Division, Front 242, Stanley Clark, The Residents, The Smiths, New Order, Ella Fitzgerald, Sisters of Mercy, Actress, Mozart, Rolling Stones e James Brown. Ouçam!

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