Photo by The SUPERMANIAK

Kenny Glasgow Fala sobre sua Vida Pós Art Department

Iniciando sua carreira solo, Glasgow fala sobre ter a sua própria voz na hora de produzir música e avisa que o Art Department não vai acabar.

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jun 24 2015, 12:00pm

Photo by The SUPERMANIAK

"Decidi ser um artista solo. Não há razão para o Art Department não perdurar, continuar a fazer música e o que ele tem feito. Por que ele deveria parar?", Kenny Glasgow diz contemplativo, confinado em seu estúdio em Londres. Seu espaço é imaculado, seu vestuário é preto e seu comportamento mais tranquilão do que uma piña colada à beira da piscina. Ele bafora intermitentemente fumaça na tela do seu computador enquanto nós conversamos.

Depois de seis anos como integrante do Art Department, produzindo ao lado do seu chapa de Toronto Jonny White, a dupla anunciou em abril, para a decepção de alguns fãs, que Glasgow irá se aventurar na carreira solo usando o seu nome de nascença novamente, enquanto White continuará como Art Department sozinho. Ao mesmo tempo que compreende a frustração dos fãs ao ver o fim da parceria, Glasgow assinala: "Todo mundo quer fazer coisas diferentes na vida e se duas pessoas não buscam exatamente a mesma coisa, é hora de fazer uma mudança. Mas isso não significa que o nome deve ser destruído ou extinto".

Lidar com entrevistas era uma tarefa geralmente delegada ao White, então não é difícil imaginar como Glasgow se sente desconfortável sendo o centro das atenções e interagindo com a imprensa novamente. "Gostando ou não, se você sente que precisa ir além no que está fazendo, é necessário passar por isso. Então estou bem tranquilo em relação a falar com as pessoas e contá-las uma história, saca, contar o que eu tenho feito... O Jonny é muito bom com palavras e em falar com as pessoas. Ele pode ser controverso às vezes, mas isso faz parte da pegada Jonny White", diz Glasgow dando risada.

Foto por The SUPERMANIAK.

"É bom poder ter minha própria voz, especialmente porque esse é meu projeto. Não posso deixar outras pessoas falaram dele. Quero que as pessoas entendam o que estou fazendo".

Glasgow diz que tem muito mais respeito pelo White agora que as responsabilidades estão sobre as suas costas novamente. "Se eu não contratasse alguém para fazer todas aquelas paradas que o Jonny fazia, eu estaria ferrado. Meu cérebro provavelmente explodiria. Não faço ideia de como ele conseguia fazer tudo", confessa. Glasgow, no entanto, não está assustado com suas novas obrigações. Com novas páginas sobre ele nas redes sociais e uma base de fãs pronta para ser construída do zero, se entusiasma: "É empolgante ter um novo começo".

Glasgow também está eufórico para recuperar o controle que anteriormente teve de abandonar. "Quando você toca sozinho, você também programa a música sozinho. Então se eu quero tocar essa música agora e não tocá-la novamente no meu próximo set, posso fazer isso de forma muito mais prática. Me faz ser um pouco mais criativo e trazer essa criatividade para o estúdio". Seu processo de produção, entretanto, não foi nem um pouco afetado pela decisão de deixar o Art Department. "Me conheço muito bem e sou perfeitamente capaz de trabalhar como um artista solo", ele diz.

E isso provavelmente é graças ao Glasgow estar envolvido nesta cena desde que era um moleque de 18 anos e passava as férias de verão com seu primo Eugene. Glasgow, por sua vez, era muito novo para entrar nos clubes que tanto ouvia falar. "Meu primo começava a se arrumar para sair tipo duas da manhã. Eu estava de pé fazendo alguma coisa e ficava tipo, 'Onde você está indo?'". Com a ajuda do Eugene, Glasgow aprendeu sobre música eletrônica e a cultura underground, eventualmente saindo pros rolês quando já era maior de idade. "Era bem diferente; uma combinação de heteros, gays, vários tipos de pessoa que eu nunca tinha tido contato antes", lembra o produtor com carinho da sua primeira noitada. "Foi meio impressionante. E o som — era minha primeira vez numa balada ouvindo aquele tipo de house music. Já tinha ouvido na casa do meu primo antes, mas ouvir tocando na balada... foi incrível".

A partir dali, Glasgow começou a frequentar festas em depósitos em Toronto, o que posteriormente o fez começar a colecionar discos. Depois de ter acumulado discos o suficiente para começar a mixar, ele se jogou bem no meio da cena, fazendo festas underground sob o codinome JMK com mais dois amigos. Glasgow passou a ser residente na The Buzz e depois na infame e já extinta Industry, em Toronto, onde eventualmente conheceu o White. "Ele já fez muito por mim e me ajudou a chegar onde estou. Sou muito grato por ter conseguido me conectar com alguém como ele", diz Glasgow.

Sendo anunciado solo como Kenny Glasgow na maioria das próximas turnê, Glasgow ainda se apresentará até o fim do ano em algumas datas com o White como Art Department. "Vou sentir falta de simplesmente viajar com ele e ter meu irmão por perto para tocarmos juntos e trocar ideia. A maior parte dos grandes momentos que tivemos foram antes ou depois de apresentações. Nos encontrávamos no aeroporto e só trocávamos ideia porque não nos víamos há tipo uma semana. Vou sentir falta disso".

Foto por Oliver Correa/Resident Advisor.

Mas sua relação com o amigo e parceiro musical está longe de terminar, visto que a dupla já fundou uma nova gravadora juntos chamada Social Experiment. A label promete focar mais no ramo underground da sua antiga gravadora, a No. 19, e sediará o próximo álbum solo do Glasgow no fim deste ano. "Fomos capazes de tocá-lo [o Art Department] para frente por todo esse tempo e não vejo a hora de trabalhar com o projeto novamente. Apenas será diferente agora, porque estamos em lugares diferentes", Glasgow acrescenta.

Cinco anos depois já parece comovente que o primeiro grande hit da dupla tenha sido a faixa "Without You" (sem você), de 2010. Lançada pela Crosstown Rebels, os vocais sinistros do Glasgow repetem "I just can't make it without you" (Eu apenas não consigo fazer isso sem você) com um efeito assombroso. Os fãs do Art Department deveriam se confortar que ninguém pode estar mais distante da realidade do que um artista sozinho, mas ambos estão de volta à estaca zero. Em que pé eles ficam enquanto isso? "Apenas garotos. Irmãos".

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Tradução: Stefania Cannone