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A Parada de Discos Britânica Finalmente Leva em Conta o Streaming Digital, mas nem Tudo É o que Parece

A galera que faz sucesso nos aplicativos de streaming podem ser melhor remunerados, o problema é que essa matemática não é nada fácil.

Ziad Ramley

Ziad Ramley

De 2012 a 2014, o número referente ao streming digital quase quadruplicou no Reino Unido.

Em 2013, a Billboard causou uma tremenda comoção quando anunciou que sua parada de singles Hot 100 passaria a levar streaming digital em consideração. Na primeira semana sob essas novas regras, "Harlem Shake", do Baauer, atingiu a primeira posição. No fim do mesmo ano, seus mantenedores anunciaram uma mudança similar para a parada de discos Billboard 200. Historicamente, as paradas americanas eram dominadas por vendagem física e, mais recentemente, downloads digitais de serviços como iTunes. A inclusão de streaming visava a refletir mais precisamente a popularidade de um disco no mundo real e obter informação dos serviços que fossem populares. Dado o tamanho do mercado de streaming, essa alteração era necessária há muito tempo.

Agora, a Official Charts Company (OCC), reguladora das paradas musicais do Reino Unido, está seguindo o exemplo. Dados do Spotify, Deezer, Napster, Google Play, O2 Tracks, Rara, Rdio, Xbox Music e de todos os membros da Entertainment Retailers Association contribuirão para a parada atualizada da OCC. (Curiosamente, tanto YouTube quanto SoundCloud, grandes fontes de execução de discos, foram omitidos.)

De acordo com a Billboard, 1.500 execuções de qualquer faixa de um disco são o equivalente à venda dele. Já que os artistas recebem consideravelmente menos por faixa executada via streaming, esse número faz sentido, mas a OCC pensa de outra forma. Ela julga que o sucesso de faixas muito populares (pense em "Fancy" da Iggy Azalea ou "We Found Love" do Calvin Harris), muitas das quais chegam a dezenas de milhões de execuções em serviços como o Spotify, distorcem os números a seu favor e ofuscam outros discos de sucesso. Ao invés de usar o método generalista da Billboard, a OCC vai levar em conta as 12 principais faixas de um disco e diminuir o peso das duas canções mais executadas para normalizar o efeito de faixas muito populares. Se você leu isso e não ficou confuso, parabéns por atingir a senciência, seu robozão do futuro. Para todos os demais, este guia ajuda esta fórmula a fazer algum sentido.


É mais ou menos assim: as duas faixas mais tocadas têm seu "peso" equiparado as demais tracks do mesmo disco.

Você deve estar pensando: "E daí? Que que isso importa? Eu odiei 'Fancy' mesmo."

No fim das contas, sua opinião sobre a decisão da OCC depende de você acreditar num mercado livre ou num mercado regulado. O produtor de uma faixa muito popular merece seu sucesso? Os 14 compositores da Beyoncé não deveriam ter o direito de ver seu trabalho no top 10? Num mercado livre, artistas com hits receberiam maior reconhecimento. Por outro lado, você pode argumentar que mais artistas em ascensão merecem tempo sob os holofotes. Será que o Drake deve sempre ofuscar o Aphex Twin? Num mercado regulado, artistas com discos de sucesso consistente seriam mais bem representados.


É assim que a OCC vai calcular a posição dos discos nas suas paradas.

Qualquer que seja sua opinião, a inclusão de streaming digital por parte da OCC vai sem dúvida causar um grande alvoroço no monitoramento de discos. Artistas predominantemente digitais finalmente terão seu sucesso oficialmente representado, e muitos outros passarão a encarar forte competição de gigantes do streaming como Bruno Mars, Mark Ronson e Taylor Swift. Se o resultado final será uma maior ou menor representação de artistas dance, ninguém pode dizer.

Como medida do que nós efetivamente escutamos, as paradas ainda são um sistema imperfeito. Com esta mudança, porém, elas ficam mais precisas.

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Tradução: Stefania Cannone