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Thalmic Labs

Equipamento Controlado por Movimento Deixa Qualquer Set mais Pela Saco

Parker Buckley

A verdade sobre os últimos avanços tecnológicos em mixagem e produção.

Thalmic Labs

Dizer que a Pioneer e a Native Instruments são as mestres em termos de produção de controladores e mixers de alta qualidade, tanto comercialmente quanto não comercialmente, seria dizer o óbvio. Mas quando se trata de novas tecnologias, ambas as companhias evitam empurrar as fronteiras. Quem pode julgá-los? Com competição tão limitada, o ritmo da inovação de produto é, no máximo, moderada. Nenhuma companhia precisa jogar dinheiro em experimentação quando já se tem uma receita tão saudável. Quatro meses, atrás a Pioneer ganhou as manchetes ao anunciar o controlador XDJ-RX que, para ser justo, é um pouco inovador ao eliminar a necessidade de um laptop.

Mas vamos encarar, sempre vai haver algum nerd, em algum lugar, construindo a bugiganga do futuro em um porão. Esse nerd às vezes é uma startup multimilionária trabalhando com Armin Van Buuren, e esse porão é, na verdade, um laboratório de projetos especiais em Kitchener, Ontário, no Canadá.

Foto via BrunchNews.

Se você é um grande fã de Armin Van Buuren, você provavelmente já sabe do que estamos falando. O Bracelete Myo fez sua estreia na dance music durante a residência Ushuaïa de Armin, em 2014. Desenvolvido pela Thalmic Labs, o bracelete permite que seu usuário controle uma grande variedade de tecnologias, incluindo som e luzes, usando atividade muscular e gestos pré-programados. Enquanto essa possa ser a amostra mais significante de equipamento de DJ controlado por movimento, existem vários produtos por aí com conceitos semelhantes.

A Crystall Ball da Naonext

Foto via YouTube.

Enquanto a Thalmic Labs lentamente começa a despachar o Bracelete Myo, uma companhia francesa que atende pelo nome Naonext se estabeleceu com um controlador de MIDI especial chamado Crystall Ball. O desajeitado aparelho é ultimamente uma tentativa de remover as mãos do DJ de trás das telas do MacBook e oferecer ao público uma performance mais reveladora e interativa. Cada um dos cinco sensores infravermelhos configuráveis permitem que o usuário faça scratch, controlar efeitos, toque notas, e altere linhas de baixo usando a proximidade de suas mãos. O pad acompanhado de 32 botões contém 24 bancos de memória, sendo que cada um pode suportar cinco sets de controle.

É importante notar que é preciso certa maestria com o produto para conseguir fazer algo soar bem. No entanto, com base em várias demonstrações de YouTube (incluindo esse trecho de um show do Jukebox Champions), fica óbvio que o dispositivo é confiável e responsivo. E incrivelmente artificioso. Mas o atributo mais impressionante é como esse negócio é indestrutível. Naonext faz questão de nos mostrar que até atropelá-lo com um maldito carro não vai acabar com a performance do dispositivo. Uma porção de lojas ao redor do mundo vende o Crystall Ball, mas você pode encomendar esse incrível produto online também. Ele funciona com qualquer software compatível com MIDI e vai custar aproximadamente U$ 600.


Veredito: Uma compra divertida para DJs ricos que querem ver o futuro e parecer um completo imbecil ao mesmo tempo.

As Mi.Mu Gloves da Imogen Heap

Foto via Fast Code Sign.

A Imogen Heap começou a usar tecnologia de gesto na cena músical anos atrás. Eu diria até que ela é uma das maiores pioneiras desde Léon Theremin. O amor pela música e tecnologia da diva digital ganhadora do Grammy começou na tenra idade de 12 anos, com um Atari. Vinte anos mais tarde, sua paixão tinha evoluído em uma empreitada que precisava de horas de programação, um time de nove pessoas e, infelizmente, uma campanha que falhou no kickstarter que pretendia levar o projeto à fase de produção. O setup de música gestual de Imogen consiste em luvas, braceletes, microfones, e uma cinta que segura o dispositivo Bluetooth que se comunica com o equipamento fora do palco. Funciona tanto como controlador quanto como múltiplos instrumentos, fazendo uma intrigante e cativante apresentação. Você pode ver sua demonstração completa na Wired em 2012 abaixo.

Outros inovadores seguram os passos de Imogen com aspirações comparáveis. Tomash Ghz, um estudante de ciências da computação na universidade de Nicosia, Cyprus, desenvolveu suas próprias luvas chamadas Aftertouch MIDI Gloves. Custou apenas 60 euros e algumas horas para construí-las, e ele foi bondoso o bastante para compartilhar o código fonte que ele usou para o mapeamento do Traktor. Muitos outros projetos independentes que envolvem luvas podem ser encontrados no MiMu Blog.

Veredito: Se você tem recursos e conhecimento para se comprometer a fazer um utensílio desses, se joga. Se você não curte luvas, faça algo como o iRing da IK Multimedia ou o Hot Hand USB da Source Studio.

O Pensato do Byron Mallett

Foto via Ableton.

Mais recentemente, o Byron Mallett está levando as coisas para o próximo nível com um projeto chamado Pensato. Ele combina o Ableton, um Oculus Rift e luvas de realidade virtual customizadas para criar uma experiência de produção libertadora. De lançar clips a moldar efeitos, tudo pode ser feito com as luvas por meio de uma interface virtual. Existe um pequeno atraso notável na demo, mas isso é maneiro demais para eu me preocupar. Também é importante considerar o fato que ainda está nos primeiros estágios de desenvolvimento.

Veredito: Eu preciso dizer que não é tão fascinante quanto pornô de realidade virtual, mas definitivamente um conceito que vale a pena dar uma checada ocasional. Pense nisso como se o Tron encontrasse o Daft Punk. Ah não, isso já aconteceu. Isso é melhor em todos os aspectos.

O Orbit da Numark

Foto via DJ Tech Tools.

A resposta da Numark para o controlador MIDI por movimento é o Orbit, um controle de mão sem fio que lembra algo que você pode encontrar na loja de brinquedo. Está no mercado desde 2013 e ganhou um prêmio de tecnologia da DJ Mag por novos produtos de discotecagem no mesmo ano. Eu vou deixar você decidir sozinho se isso dá mais credibilidade para o dispositivo. Piadas de lado, eu diria que o dispositivo funciona bem o bastante, embora não perfeitamente. Quatro bancos de controle e 16 pads resultam em 64 gatilhos programáveis, com dois acelerômetros acrescentando no aspecto do controle de movimento. Uma carregada dará até oito horas de uso sem fio e, sendo um controlador MIDI, o Orbit pode falar com qualquer software MIDI. O preço médio é U$ 149 nos Estados Unidos, mas no Brasil você pode encontrá-lo a partir de R$ 249,99.


Veredito: Essa coisa é um Genius para adultos. Uma ótima comparação para qualquer um em busca de uma onda avassaladora de nostalgia.

O Real Booty Music com o AIAIAI

Foto via Flashback Magazin.

Obviamente, eu guardei o melhor pro final. O Real Booty Music foi uma colaboração criativa com o objetivo de compor uma faixa feita inteiramente com movimentos do twerk. Um grupo dinamarquês de design de audio chamado AIAIAI foi a força-motriz por trás dessa empreitada curiosamente erótica. Eles pediram ajuda para outra companhia de design e tecnologia, a OWOW (Omnipresent World of Wizkids), junto com o produtor Branko e a Twerk Queen Louise. Dois acelerômetros acoplados aos twerkmagia de Louise acionariam samples, transformando a dançarina em uma musicista. Eu sonho com o dia que isso estiver disponível nas lojas.

Veredito: Major Lazer poderia aprender uma coisa ou duas com esses caras. Eu fiquei vendo isso como se eu tivesse 14 anos de idade.

Então se você estiver se perguntando "O quão ruim é um equipamento de DJ controlado pelo movimento?" minha resposta é: não é uma merda completa, mas ainda tem muito espaço para melhora. Não é um absurdo para DJs e produtores buscarem novas formas de expressão que acrescentem valor a seus shows e processos criativos. Enquanto a música inevitavelmente evolui, ocorre o mesmo com os instrumentos e a tecnologia por trás dela. Não há dúvida que podemos esperar ver mais uso público de tais tecnologias enquanto essas ideias e experimentos ganham força. Com produtos já populares baseados em captura de movimento como Leap Motion, Kinect, e até o seu telefone, é uma questão de tempo.

Parker Buckley é um junkie do SoundCloud. Tradução: Pedro Moreira