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      “Eu Não Sei se o Bin Laden Sabe Quem eu Sou”, diz Diplo “Eu Não Sei se o Bin Laden Sabe Quem eu Sou”, diz Diplo

      Gabriel Talamini

      “Eu Não Sei se o Bin Laden Sabe Quem eu Sou”, diz Diplo

      “Eu Não Sei se o Bin Laden Sabe Quem eu Sou”, diz Diplo

      March 27, 2015 1:00 PM

      Você INTERNAUTA ligado em dance music, funk & que tais deve ter visto no Facebook e em contas bem frequentadas do Instagram que, há uma semana, o Diplo está no Brasil chegando junto de nomes do funk para preparar novas coisas para o seu Major Lazer. Gabriel Talamini, nosso colaborador do THUMP X A VOLTA e que trampa também para o Buuum, selo do Skol Music, esteve junto desse bonde criativo e nos mandou uma entrevista com Diplo e Bin Laden com muitos momentos impagáveis. Acompanhe.


      Em sentido horário, o MC Walshy Fire, Laudz, Bin Laden, Diplo e Zegon.

      Se no ano passado alguém me falasse que um dia eu estaria num estúdio com Zegon, Laudz e Bin Laden juntos, já teria achado a ideia bem absurda. Agora, inclua o Diplo nesse mesmo rolê. Sim, isso aconteceu de verdade. Convidado por Laudz, no último dia 19, tive a oportunidade de ver de perto quem é o Diplo e como diabos ele consegue chegar em artistas da periferia antes de qualquer outra pessoa de fora do país.

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      Com uma apresentação marcada no festival Lollapalooza - Diplo se apresenta com o Major Lazer no sábado (28) -, o produtor aproveitou a passagem por aqui para fazer outras gigs na América do Sul. Em uma escala no Brasil, a caminho do Paraguai, arranjou cerca de cinco horas em São Paulo para trabalhar em uma música com o Tropkillaz. Apesar de todas as outras pessoas no local estarem nervosas com o horário, Diplo parecia estar em casa. Alguns diriam ser anos de experiência, mas acho que o cara é tranquilão mesmo.

      No meio das gravações, Diplo aproveitava para fazer Snapchats do Bin Laden. O MC vestia uma camiseta com a fotografia do terrorista e soltava rimas sobre Major Lazer, Barack Obama e bombas no Iraque entre gritos e arrotos. Perguntei para o Diplo se ele fazia ideia do que Bin Laden estava falando. Ele deu de ombros. Estava pouco se fodendo.

      THUMP: Diplo, como é esse negócio de vir pro Brasil e gravar com funkeiros? Você não fala português, eles não falam inglês. Sei que você passa por essa situação com frequência e, muitas vezes as pessoas até acabam vendo isso de um jeito negativo, te acusando de apropriação cultural e coisas do tipo.
      Diplo: Eu tenho feito isso por muito tempo. Eu trabalho com todo mundo. As pessoas esperavam que eu ainda estivesse na Flórida? Fazendo música country ou miami bass? Eu sempre fui atraído pela fusão de culturas, eu cresci vendo isso. Por exemplo, eu conheci o Zegon em 2003 e ele também já misturava música aqui do Brasil com hip hop. O próprio baile funk começou misturando samba com Miami bass. Tudo é uma questão de paixão pela música. Eu acho que hoje todos pertencemos a um só grupo. Uma geração que faz música sem nenhuma regra. E além disso, precisamos vender nossa música pra fazer dinheiro. A gente tem filhos, pensão pra pagar, isso custa caro pra porra!

      E como você veio parar aqui, com o Bin Laden?
      Eu não sei se o Bin Laden sabe quem eu sou. Espero que sim [risos]. Eu o conheci por intermédio do Zegon. Há um tempo, ele me mandou umas músicas dele e do MC Brinquedo. Eu sempre procuro saber o que acontece no Brasil, é importante pra mim. O Bin Laden é incrível. Especialmente o estilo dos seus vídeos, fiquei bem empolgado quando vi. Ele é autoconsciente, consegue transformar a pegada tradicional do baile funk em algo bem original. É como quando eu ouvi Bonde do Rolê pela primeira vez. Eles não eram funkeiros, mas conseguiram fazer uma coisa particular e interessante a partir do ritmo. Eu acho legal encontrar pessoas que conseguem tirar a música do contexto tradicional.

      "As pessoas esperavam que eu ainda estivesse na Flórida? Fazendo música country ou miami bass? Eu sempre fui atraído pela fusão de culturas, eu cresci vendo isso."

      E você não tem problema nenhum com o nome dele?
      Eu cresci vendo bandas tipo Death Chamber ou Morbid Angel, que tinham nomes super controversos. Bin Laden é uma palavra. Se você dá poder à ela, ela tem poder sobre você. No final das contas é realmente só uma palavra.

      Então você conseguiria um visto para o Bin Laden ir pros Estados Unidos?
      Sem chance.

      Depois de bater papo com o Diplo, fui tentar entender o que se passava pela cabeça do Bin Laden.

      THUMP: E aí mano, como você está se sentindo sobre a parceria?
      Bin Laden:
      Infelizmente eu não sei nada sobre o Diplo. Muita gente pode até me julgar, me chamar de funkeiro burro, mas não é assim. A gente faz nosso trabalho pra comunidade, pra sustentar nossa família, tá ligado? Graças a Deus nosso trabalho tá sendo reconhecido lá pra fora. Tamo aí com um dos maiores produtores mundiais, e graças a oportunidades assim a gente acaba conhecendo outras pessoas, outros tipos de música. Pra mim é uma satisfação. Ver que o nosso funk, que era só uma coisa fechada, pra comunidade, tá agora se expandindo pro mundo inteiro é muito gratificante.

      E a mensagem pros fãs de fora?
      Aí rapaziada, que tá aí fora no outro lado do mundo. Um salve de tchanantchanas arachanachana! Brincadeira, um forte abraço do Bin Laden. É o BOLOLO HAHA BOLOLO HAHAHA!

      Para finalizar o rolê com classe, peguei uma carona pra casa com Bin Laden. A experiência se resume a esse maravilhoso vídeo gravado no trânsito da Avenida Paulista.

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