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O DJ Cook Off do Amsterdam Dance Event Foi o MasterChef da Eletrônica

Carl Cox, Kölsch, o italiano Joseph Capriati, a inglesa Rebekah e os holandeses Shinedoe e 2000 and One trocaram os decks por panelas para cozinhar pratos dignos de chef.

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out 22 2015, 10:00am

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Pensa num Master Chef da música eletrônica, uma chance de ver o seu DJ preferido preparando um rango fino e depois sendo aplaudido ou detonado por jurados diante de uma plateia.

Plateia faminta. Foto: Divulgação

O DJ Cook Off é tipo isso. A competição entre disc-jóqueis metidos a chef rolou quarta passada (14), na escola de culinária Keizer Culinair, em Amsterdam. A ocasião era bem pomposa: a abertura dos trabalhos do Amsterdam Dance Event (ADE), hoje o maior evento de clubes e DJs do mundo.

Em cinco de festas, conferências, workshops, competições, mostras de arte, filmes e lançamentos, mais de 2.200 DJs se apresentaram no ADE. O evento terminou na manhã da última segunda (19), em rolês espalhados por toda a cidade. Sim, tá todo mundo zoado até agora. Mas voltemos à cozinha.

Lógico que todos queriam estar num evento como o DJ Cook Off, mas a competição é fechada pra convidados dos DJs-chefs e da organização. Sorte minha que a Ellen Allien, DJ alemã e minha amiga há vários anos, também tinha vindo pro ADE e botou meu nome na lista.

Mãos na massa

Kölsch, o vencedor de 2014. Foto da autora

Neste quinto ano de DJ Cook Off, os competidores eram o mestre inglês do techno Carl Cox, além do dinamarquês Kölsch (vencedor do ano passado), o italiano Joseph Capriati, a inglesa Rebekah e um back2back entre os holandeses Shinedoe e 2000 and One.

Sentados na mesa do júri estavam o tricampeão do DJ Cook Off, o americano-mais-polêmico-da-música-eletrônica-atual Seth Troxler, e os ingleses Dave Clarke e Paul Oakenfold – um dos melhores DJs do mundo é também chef nas horas vagas.

Seth Troxler curtindo D+. Foto da autora

Como o rega-bofe acontece numa escola de culinária, os DJs ficam diante da geral enquanto preparam os pratos. Alguns professores e assistentes da Keizer Culinair dão uma força pra eles, lavando e cortando ingredientes. Pelo menos aparentemente, são os DJs que cozinham.

Já sabia dessa paixão de Carl Cox por culinária — isso porque em uma entrevista que fiz com o produtor aqui no Brasil, ele não parou de falar de comida. Dizia que estava começando a se aventurar como chef de fim de semana e que curtia muito fazer seus próprios burguers.

Eis a mesa dos jurados. Foto da autora

Então foi meio um choque ver o menu dele na competição, um frugal minestrone (que nada mais é do que uma sopa de legumes clássica italiana) com lagostim. "Adoro esse prato porque acho que tem um sabor de comida caseira e é muito delicioso", disse Cox, justificando a sua escolha. Mas que light, pensei eu.

Massa com vôngole e lula (Joseph Capriati), hambúrguer vegetariano (Rebekah), atum com batata doce e cenoura (Shinedoe e 2000 and One) e porco com maça (Kölsch) foram saindo dos cooktops para a mesa dos jurados — e só depois liberados pra degustação geral.

Esse prato não é Master Chef

Com pinta de Chiquinho Scarpa do trance, Paul Oakenfold foi o primeiro a dar uma detonada. Sobrou pro prato de atum dos holandeses. "Tá seco pra caralho", disse um Oaken gourmet. Dave Clarke concordou: "Falta molho". E Seth finalizou com a dica de tricampeão: "Um prato de peixe é muito complicado de se fazer sob pressão".

Carl Cox sacando o prato da concorrência. Foto da autora

O macarrão com frutos do mar feito pelo pioneiro do techno italiano Joseph Capriati passou de ano, com notas entre 7,5 e 8,5, mas ninguém chegou a suspirar com o prato. A sopa de Carl Cox também não fez feio, mas os juízes, apesar de respeitosos, ficaram muito com uma cara de "sério que você fez uma sopa de legumes?".

Depois veio o hambúrguer vegetariano da DJ Rebekah, que levou a maior nota no quesito apresentação — adorei a simplicidade meio TV Macho nos quesitos: "apresentação" e "sabor", apenas. O burguer, até então, tinha levado a melhor.

Chorando de felicidade

Mas foi aí que entrou em cena um dos mais antigos love affairs da história da culinária: homens & porcos. O prato de Kölsch fez Oakenfold jurar por Deus que nunca havia comido um porco igual. Dave Clarke (eu juro) verteu lágrimas, depois se justificou dizendo que chora mesmo se a comida é foda e Seth Troxler disse que estava diante de um chefe de verdade.

Tudo bem que àquela altura os bons drinks também já tinham se misturado ao jet lag das cabeças de todos, mas parece que o porco do DJ dinamarquês era mesmo sensacional.

Kölsch foi ovacionado pelos juízes e seu porco entrou pro DJ Cook Off hall da fama. Eu já desconfiava.

Os pratos que chegaram à mesa desta mortal aqui foram apenas o minestrone do Carl Cox e o atum da dupla holandesa. Tenho que concordar com os juízes, o atum estava puxado, só desceu com muitos golões de vinho. Mas a sopa do chef Cox... estava maravilhosa!

Veja aqui vídeos e fotos dos eventos que rolaram dentro do ADE 2015.

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