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MIXED BY YNGN

Uma mix rápida e mortal pra sacudir esse picumã eficientemente.

Eduardo Pininga

Eduardo Pininga

Da mesma forma como o dançarino Willi Ninja define a Casa dos Ninjas no clássico filme sobre vogue Paris is Burning, podemos falar da mix feita pelo YNGN, ou Naveed Etemadi: "Ninjas são mortais. Ninjas são rápidos". Em pouco mais de meia hora, o produtor de 24 anos de San Diego, Califórnia, passa de um salão de vogue feroz para o abstrato mundo do grime hi-tech que vem explorando em suas produções ultimamente, como a última faixa da mix, uma exclusiva com o produtor Gundam que ele compartilha pela primeira vez aqui nessa mix.

Ele possui mais três EPs em fase de produção, enquanto suas faixas inspiradas pela marcação forte e descompassada do grime vem discretamente tomando blogs e rádios afora, como a Rinse.fm. Ele já fez parte da compilação do coletivo Dicksquad, e acaba de começar uma festa chamada Blood Pressure, com a qual quer "familiarizar as pessoas com a cena club da costa leste e do UK, sem limites ou restrições".

Dificilmente você conseguirá ficar sentado enquanto ouve essa mix, então lê o papo que a gente bateu por e-mail sobre o que ele anda fazendo enquanto pega um drink e prepara a make pra fazer aquele Vine bem bafo com isso que você chama de voguing.

THUMP: Onde você mora, e como são os clubes e bares que você vai?
Naveed: Eu moro em San Diego, na Califórnia. A cena noturna aqui varia muito. Existem grandes clubes na região chamada Gaslamp District, no centro. Eles são bons, mas a música que você vai ouvir é alguma coisa das paradas Top 40 ou algo bem mainstream. Entretanto, alguns tem focado mais em club music, o que é ótimo. Mas ao redor do centro da cidade existem alguns clubes pequenos que estão realmente prosperando com música underground. Muitas pessoas aqui estão empenhadas em construir a cena underground, dando duro e fazendo muito bem.

Você ainda estuda?
Eu me formei na escola em 2010, e atualmente trabalho o dia inteiro como conselheiro de drogas e álcool de jovens em condicional. Mas sei que para ir para mais longe fora do mundo da música, eu vou ter que voltar a estudar.

Quando você começou a produzir?
Eu comecei a produzir quando tinha 17 anos, em uma Akai. Eu só fazia uns R&B experimentais com a minha ex-namorada, que cantava por cima de alguns beats.

Você sempre esteve envolvido com música? Que instrumentos você sabe tocar?
Eu tocava clarinete na segunda série, e só [risos]. Desde quando era mais novo eu fazia uns mixes para os meus amigos e gravava alguns CDs com o que eu ouvia na época e que eles não tinham ouvido ainda. Então minha paixão pela música sempre esteve comigo, pelo que me lembro. Eu considero meu sampleador e minha drum machine instrumentos, e é só isso que uso para produzir.

E por onde você começa a produzir uma música ou projeto novo?
Geralmente quando eu tenho uma ideia na cabeça já por um tempo. Às vezes pode ser um efeito sonoro em algum filme ou DragonBall Z [risos]. Qualquer coisa serve. Uma vez ouvi a porta traseira de um caminhão sendo levantada no mercado e pensei "caraca, isso soa muito bem, preciso achar isso"! Daí eu vou procurando os outros sons que preciso e carrego na drum machine. O resto acontece naturalmente.

E como você acha que a internet interfere na nossa forma de consumir e criar música?
Essa é uma ótima pergunta, porque eu acho que a internet tem um papel importantíssimo na cena musical hoje em dia. A internet me fez conectar com alguns dos mais incríveis produtores e também me deu a oportunidade de compartilhar e receber música. Dois grupos no Facebook tem desempenhado um papel importante no modo como eu encontro e compartilho música: o Grime Zone e o Classical Trax. A internet também é uma ótima ferramenta para encontrar sons exóticos e estranhos para usar na minha música.

E o que você acha de ter que trabalhar todos os dias? É um saco, né?
Cara, definitivamente pode ser um tédio as vezes. Tenho sorte de ter caído numa carreira que tem a ver com minhas experiências pessoais. Eu digo com todas as forças que amo o que eu faço; ajudar outros jovens dependentes é algo desafiador, e ao mesmo tempo recompensador. Eu já fui dependente químico quando era ainda muito novo, mas por algum milagre consegui superar isso. Agora – seis anos sóbrio – é meu desejo dar algo em retorno.

Você se lembra de quando descobriu o grime?
Foi quando eu ainda estava no colegial, e amei logo de cara. O primeiro álbum que eu ouvi foi o Boy in Da Corner do Dizzee Rascal. Naquela época eu estava ouvindo um monte de hip hop experimental e trip hop. Depois, eu descobri o UK garage e dub, e então comecei a ver algumas similaridades nas produções. Daí fui procurando mais e mais e acabei descobrindo artistas como Wiley e Youngsta, e fui descobrindo camadas novas dentro dessa cena explorando o lado instrumental do grime.

E o que tem no grime que te chama tanta a atenção a ponto de querer criar?
Ao produzir grime, eu consigo ter a chance de trabalhar com conceitos como som e espaço sob uma diferente perspectiva. Eu também consigo enfatizar os padrões de bumbo e caixa de uma forma que não conseguiria em outros gêneros, e ainda adicionar a crueza dos samples e graves abstratos. É uma ótima descarga de emoções quando está tudo pronto.

E como você escolheu as faixas para esta mix?
Muitas são faixas que eu toco durante a noite. Eu quis criar uma mix que começasse bem dançante e club, para depois acostumar quem está ouvindo com uns sons mais abstratos –mas ainda dançantes, na minha opinião. E os artistas que estão na mix são os meus favoritos! Tem também uma colaboração com o Gundam que eu estou animado para ver a reação das pessoas!

E quais que são seus produtores favoritos no momento?
Agora eu estou ouvindo muito o Mike G, antes de conhecê-lo eu poderia jurar que ele não era humano [risos]. Sou muito fã do Moleskin e estou bem ansioso para ouvir seu EP novo! O Bloom também; me senti honrado quando ele tocou a minha faixa "DRK CHILD" no seu show na Rinse FM com o Butterz, sou muito fã de sua música também. Mas o Gang Fatale é quem tá dominando! Eu amo tudo o que o Trap Door e o Neana fazem! E não posso esquecer de mencionar a HER Records: seus artistas são os maiores da cena.Quem mais? Eu adoro o Shardae queria que ele tivesse mais músicas [risos]. MikeQ, Sugurshane, Beek, Divoli, Buddah... aff, todos da Qween Beat são incríveis. Existe tanta coisa boa acontecendo e surgindo agora, que essa lista poderia ir até o infinito.

E no que você está trabalhando agora? Algum EP nos planos ou alguma colaboração?
Agora mesmo eu tenho três EPs para terminar. Um é em parceria com meu amigo Korma, chamado Ascension, e que sairá pela Paradisiaca. O outro é um EP solo por um selo do Texas, o Oracles, e o terceiro é um projeto de footwork com o selo Smashtales, dos meus parceiros Jo Def e Esgar. Estou bem animado pro lançamento de todos.

Qual sua parte favorita de Paris is Burning?
Praticamente tudo o que a Dorian Corey fala.

Qual sua comida favorita?
Ramen.

TRACKLIST:

Gage - Shiftin
Murder Mark Let The Goons Out (Feat. Rappa Bitch)
Trap Door - Chaka
MikeQ & Dj Sliink - The Bitch feat. Miss Jay
Mike Q - Let It All Out (Imaabs Remix)
Divoli S'vere - #WorkHA ft.Buddah
Mike G - NUVO
Hysterics - Pleasuredrome
Blackwax - Phobia
Miss Modular -  Cruzer Edge (Whyfam Rainforest Mix)
Air Max '97 - Progress and Memory (Neana Remix)
Mike Q & Sinjin Hawke - ThunderScan
CYPHR - Brace
Timbah - Flow Poke
LENKEMZ - Can't See Me (Feat. Slick Don)
Samename - Nuriko
Toyc - Keyframe (Bloom remix)
Sudanim- Lightmare
YNGN x Gundam- HeatStroke