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"Tocar em Ipanema Foi um dos Momentos Mais Bonitos da Minha Vida": Entrevistamos o Tiësto

O holandês que acabou de ganhar um Grammy, chega ao Brasil para sua sexta turnê no país, em pleno carnaval.

Eduardo Ribeiro

Eduardo Ribeiro

Tiësto faz parte da primeira geração de DJs que tiraram a eletrônica dos redutos subculturais para transformá-la num fenômeno de apelo e linguagem mundiais. Isso foi na segunda metade dos anos 1990, e seu prestígio segue intacto até hoje, atravessando tendências e sempre encabeçando as listas de melhores do ano e premiações do gênero. Desde os primeiros mixes, esse holandês nascido em Breda em 1969 já se mostrava uma incansável máquina de beats dançantes. Seus sets de seis horas tornaram-se lendários já naqueles tempos, quando ele se destacou como um dos precursores do ritmo que inaugurou a explosão dos festivais de dance music a céu aberto, o trance e suas variações, do psy ao prog.

"Seis horas era o mais comum, mas já toquei por mais tempo. Meu recorde foi um set de nove horas na segunda edição do festival Dutch Dimention, em fevereiro de 2002". Numa época em que os lineups dos festivais contam com uma variedade muito grande de DJs se comparados às antigas, tem vezes em que Tiësto precisa reduzir sua performance a uma ou duas horas, mas isso não é um empecilho para o artista. "As coisas mudaram um pouco. Mas não me prendo a isso. O bom DJ é aquele que sabe se adaptar, tanto ao clima da pista como ao tempo de apresentação. Estou sempre pronto para contar uma história legal em qualquer formato, em lugares maiores ou menores, abertos ou fechados, com muito ou pouco tempo", disse.

Ele comenta a evolução de sua identidade musical de lá pra cá: "Acho que minha incursão pelo trance foi um caminho para chegar ao formato atual do EDM. O clima daquela época estava mais para uma viagem de redescoberta pessoal, e agora estamos vivendo um momento de consumo rápido, de fragmentação e velocidade, por isso eu acredito que a expansão do EDM tem a ver com o fato de que ele dá às novas gerações aquilo que elas precisam. A experiência pessoal se foi, agora o que pega é a experiência de grupo, a alegria e o êxtase comunitários. É a vertente que melhor traduz o espírito do nosso tempo".

Para Tiësto, este é apenas o começo de uma nova fase que promete render muitos frutos. A próxima aposta agora é importar um pouco da estética deep house ao punch do EDM. Ele falou sobre isso na entrevista que ele deu ao Thump gringo durante a cerimônia do Grammy no começo da semana, cerimônia na qual foi premiado pelo remix de "All of Me", do John Legend. Tiësto vem apostando nesta vertente desde 2011 para temperar seus sets, e o resultado de como a mistura vai soar poderá ser conferido em breve, no remix da faixa "Often", do The Weeknd, que será lançado ainda nesta temporada. À ocasião do Grammy, o DJ também contou que a faixa premiada foi lançada originalmente para download gratuito, sem grandes pretensões.

Achei intrigante que ele não tenha pensado em trabalhar a música comercialmente desde o início. "Na verdade eu enxerguei, sim, o potencial da faixa, mas queria lançar o mais rápido possível, antes do meu aniversário, que é em 17 de janeiro – eu tinha feito o som tipo umas três semanas antes. Só que o John Legend é um artista que eu suspeitava ser meio inacessível, fiquei pensando na burocracia que teria de enfrentar até conseguir uma parceria formal e que isso demoraria muito. Quando eu me empolgo é assim, quero divulgar logo, compartilhar com as pessoas. Se John ou alguém da equipe dele me ligasse reclamando, eu já estava pronto pra tirar do ar", explicou o capricorniano. E o John Legend realmente ligou. Mas não para reclamar. Ao contrário, foi para elogiar o trabalho e pedir que pudesse lançar o remix oficialmente. Sucesso!

De malas prontas para sua sexta turnê brasileira, que rola agora na semana do Carnaval 2015, Tiësto vem para promover seu mais recente álbum, o quinto da carreira, A Town Called Paradise, que traz parcerias com nomes como Ladyhawke e Icona Pop. Pergunto sobre as expectativas, e ele declara sua paixão pelo país: "O Brasil é um dos lugares mais legais para tocar, especialmente durante o carnaval. Essa abertura que eu conquistei é o sonho de qualquer DJ, poder tocar para multidões no Brasil. Quando eu conto pros meus amigos que fechei mais uma turnê por aí, os caras ficam todos enciumados. Direto fico lembrando de quando me apresentei na praia de Ipanema para mais de vinte mil pessoas num domingo à tarde. Foi um dos momentos mais bonitos da minha vida".

Antes de me despedir e desejar boa viagem, quis saber se um artista tão escolado como ele ainda teria alguma ambição a realizar, depois de rodar o mundo trocentas vezes, lotar arenas, ganhar prêmios, emplacar milhares de downloads digitais e fazer parcerias com um monte de nomes destacados. "Sempre existem caminhos inéditos para trilhar. Agora estou com vontade de fazer umas faixas mais suaves, e para isso seria bacana se rolasse de chamar o Bon Iver".

Para outras informações sobre as apresentações do Tiësto no Brasil, clique nos links abaixo:

13/2 – Rio de Janeiro, no Rio Music Carnival – tsto.co/yh4q9
14/2 – Salvador – tsto.co/rh1co
15/2 – Florianópolis – tsto.co/stazg
16/2 – Camboriú – tsto.co/v1sj3
17/2 – Recife – tsto.co/xe2xy

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