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O Som Experimental do Egyptrixx Encontra Seu Lugar no Halocline Trance

David Psutka lançou 'Transfer of Energy [Feelings od Power]' pelo seu próprio selo e diz que faz música com ideias não-musicais.

Lizzy Sermol

David Psutka finalmente encontrou o lar perfeito para o som esquisito e experimental que ele produz no seu projeto Egyptrixx – o seu próprio e recém-anunciado selo, Halocline Trance. Lançado neste ano junto com o seu mais novo LP, Transfer of Energy [Feelings of Power], no dia nove de fevereiro – um disco primitivo e cru, que brinca com peso e estrutura – o selo é um canal para os "projetos musicais, visuais e colaborativos" de Psutka.

Como na maioria dos seus lançamentos anteriores com a marca do Egyptrixx, tensão e tranquilidade são temas recorrentes em Transfer of Energy. As ascensões, quedas e momentos contrastantes de paz e violência funcionam como uma trilha sonora. Todos os elementos trazem uma graciosidade particular ao disco e equilibram a preocupação com estrutura e contraste.

"Acho que obtenho resultados interessantes com o Egyptrixx porque a maior parte do que entra nas músicas são ideias não-musicais, e é por isso que as faixas às vezes são extremas, inovadoras ou curiosas", ele diz. "Estou pegando esses conceitos esquisitos e introduzindo-os no projeto como uma experiência."

A "tranquilidade e concussão" de Psutka vem, em parte, das suas primeiras experiências com o techno. Originalmente envolvido com o noise experimental, ele depois foi cativado pelos momentos de violência real e serenidade dentro das faixas techno.

"Sempre achei isso muito interessante e, para mim, parecia quase a mesma coisa – sabe aquela descarga de adrenalina que você tem com as partes muito pesadas e intensas da música? Às vezes as partes tranquilas parecem a mesma coisa. Acho que o que estou tentando fazer é roubar alguns ingredientes da música de pista e deixá-los expostos de um jeito mais minimalista. Gosto de tirar tudo que posso deles, meio que jogá-los por aí e deixar  que as pessoas os venerem pelo que eles são."

O resultado das suas experiências, especialmente "Transfers of Power", é uma série trespassada de faixas que conseguem ser ao mesmo tempo uma experiência em dissonância estrutural e incrivelmente dançantes. O disco vai crescendo maravilhosamente. Uma narrativa sonora se desenrola com uma fluidez primorosamente elaborada – do tipo que faria David Lynch sorrir. Mesmo o uso de vocais não distrai da tensão no disco. Em vez disso, as vozes fazem um contraponto a momentos de soturnez distópica, de uma maneira sutil e delicada, como acontece em "Body II Body feat. Nyssa". 

Transfer of Energy [Feelings of Power] também conta com a participação do artista ANF, baseado em Berlim, que colaborou anteriormente com Psutka em "A/B til Infinity". "Ele articulou mesmo a estética do projeto... Então acho que [o Egyptrixx], agora, é um projeto muito visual ou estético", ele diz. "Fizemos muitas performances visuais no ano passado. Não aconteceram sem alguns pequenos desafios, mas as que foram boas eu achei que foram ótimas, reveladoras, até."

Depois do lançamento de Bible Eyes e da sua turnê subsequente, Pstuka admitiu que estava um pouco cansado de toda a cena de música eletrônica. Estava um pouco incerto sobre onde se encaixava nela. Dois discos e quatro anos depois, ele está se sentido menos exausto e muito mais sábio em relação a onde e quando o Egyptrixx funciona melhor.

"O projeto é bastante esquisito, mas de alguma forma é abraçado por mundos diferentes da música", ele diz. "Agora estou melhor em recusar os shows que sei que não vão dar certo, aqueles que sei que vão ser um erro conceitual. Mas, ao final de Bible Eyes, eu tinha feito muitos shows – alguns foram muito ruins, e alguns não deviam ter acontecido. É uma música estranha, não se encaixa em qualquer lugar. Há certos elementos de dance music no que eu faço, mas eu com certeza me sentia um intruso no Night Slugs."

Para além de aproveitar a liberdade de lançar material pelo seu próprio selo, o Halocline Trance é a oportunidade de Psutka de tirar vantagem das mídias digitais. Estéticas visuais sempre foram um componente crucial do Egyptrixx, e o lançamento digital oferece a ele uma maneira de desenvolver isso ainda mais. 

"Às vezes me pergunto por que os artistas se limitam às velhas convenções de lançamento, sabe, lançar quatro músicas como um EP ou dez como um LP. Essas limitações são físicas, seja um pedaço de vinil ou dois. Agora tudo é digital, e isso dá muito mais opções para os selos em termos de lançar e compartilhar música", ele diz.

E ele está certo. Agora, mais do que nunca, os artistas têm a chance de criar e compartilhar experiências imersivas com os seus ouvintes que vão além dos limites dos formatos tradicionais. Agora que não ouvimos mais CDs ou vinis tanto quanto antes, por que os artistas deveriam continuar a se adaptar a eles?

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Tradução: Fernanda Botta